Meu ingresso no universo das mãezinhas se deu muito precocemente. Aos 18 anos e 3 meses descobri que estava grávida.
Meu mundo caiu. Como assim? Como eu deixaria o cargo de filhinha caçula e passaria ao de meia mãe? Sim, meia mãe, porque ninguém, nem mesmo eu, acreditava que eu me daria bem na nova função.
Os meses foram passando e o bombardeio de palpites foi aumentando.
Bebê tem que tomar mingau de fubá na mamadeira, chá de pacová tira bucho virado, não se deve acostumar o bebê no colo senão “cria” mania.
No momento em que nasceu de cesárea, fruto de um PN frustrado (rs), o segurei com tanta força como se já tivesse feito isso antes.
E aí meu nome mudou. Me chega a enfermeira e diz:
-Mãezinha, tem certeza de que você não vai derrubá-lo? Você pode carregá-lo até o quarto?
Em outra ocasião, teria apelado, por duvidarem de minha capacidade, mas estava em êxtase e não via nada além de meu filhote.
Desde aquele dia, não sou mais eu. Sou mãe!
Eu passei, como num passe de mágica, de adolescente baladeira, a mãe de família.
Não foi fácil cuidar e educar aquela coisinha tão fofa. Mas também não foi tão difícil. Descobri valores que nem sequer sabia que tinha. Não sabia que poderia trocar noites de sono por canções de ninar, não sabia que o choro de um bebê doesse tanto na gente, não sabia que poderia amar alguém mais que a mim mesma.
Aprendi muita coisa, aprendi até que o Pica pau é um sádico. Antes só via com olhos de espectadora, agora com olhos de mãe.
O que mais me intriga é; como posso ser tantas pessoas no mesmo dia?
Depois de 15 anos e 3 filhos, já fui centenas de mulheres. Hoje, por exemplo, fui Mulher Elástica, Mulher Maravilha, Minnie, Stephanie do Lazy Town, Magali. Mas até hoje, a personagem da qual nunca me cansei, e que exerço com mais “catiguria” é sem dúvida o de mãe. Mãezinha não, sou Super Mãe.
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